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A vegetariana

de Han Kang

tradução Jae Hyung Woo

Editora Todavia - 2007




O romance A vegetariana é narrado por três vozes diferentes, todas em torno do que acontece na vida da personagem principal, Yeonghye. A voz dela só conhecemos através dos seus sonhos, do que seu inconsciente lhe diz, de como ele lhe assombra.


"Esta não é a primeira vez que sonho isso. Já sonhei várias vezes. Assim como, quando estamos embriagados, nos lembramos de todas as outras vezes em que bebemos demais, quando sonho, me recordo de todas as ocasiões anteriores em que estive sonhando. Por incontáveis vezes, alguém matou alguém. Nada é muito claro, é tudo confuso...Mas me lembro de tudo com uma palpável e estarrecedora sensação de realidade."


No recorte que escolhi, Yeonghye fala dessa sensação às vezes comum nos sonhos: a de que ele já foi sonhado antes - o que evoca alguma memória, e uma repetição. É a sensação de estranha familiaridade, do unheimlich freudiano. Podemos pensar que essa sensação vem do quanto nosso inconsciente nos é familiar e repetitivo, embora seja também surpreendente e estranho. São as nossas contradições. Han Kang tem a sensibilidade de trazer esse elemento precioso: ainda que na fugacidade do sonho, na sua confusa imprecisão, algo se manifesta insistentemente, e se destaca.


"A vegetariana" é daqueles romances que se lê sem vontade de parar, que captura, e que ao terminar deixa a sensação de que nos tocou profundamente.


Também gostei muito da proximidade com as particularidades da cultura sul coreana, presentes nas linhas e nas entrelinhas: os hábitos alimentares, o respeito aos mais velhos, a posição social e íntima esperada das mulheres.


Incrível.



Publicada em abril de 2021, no Instagram


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