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A vida submarina

de Ana Martins Marques

Companhia das Letras - 2009


Nessa vida submarina da Ana Martins Marques cabem âncoras, conchas, ondas, jardins, insônias e uma casa de praia. Cabem cidades, cabe o amor e o divórcio e o nascer de uma criança. Cabe Penélope. Cabem papéis, cabe uma casa inteira, parte por parte, em "arquitetura de interiores". Cabem barcos de papel e um caderno de caligrafia, nanquim, os palimpsestos de Mira Schendel e uma carta para Ana C.. Cabem a seda, os ipês e os silêncios. Cabe deixar-se ficar na praia, sentindo o calor do sol no corpo quando cai a tarde, olhando o mar. Cabe o horizonte. O pensamento tão longe, tão perto - o fora e o dentro. Da casa, do corpo. Ler A vida submarina é mergulhar, e submergir, e mergulhar de novo. O que cabe no fundo do mar?

O poema toca o infinito.

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Seda

É tão difícil amar

neste mundo imperfeito

é difícil dizer alguma coisa

que não seja um equívoco

é difícil encontrar

o peso correto

das coisas

saber nosso próprio tamanho

olhar alguns bichos nos olhos

pensar com doçura

aproveitar adequadamente a luz

desejar para o pássaro um destino de pássaro,

para a seda, um destino de seda.




Publicada em setembro de 2021, no Instagram.


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